O desejo é revolucionário porque ele sempre quer mais conexões, mais multiplicidades. Ele não se deixa capturar por organizações, ele escapa, ele fura.


ACT I. PAST
Theatre of Cruelty

"I have always unconsciously sought out that which will beat me down to the ground,
but the floor is also a wall."
(The Thirst of Annihilation, Nick Land)


Ivan Mikailich Kovalenko (ou Ivan Choi), nasceu no dia 02 de junho de 1994, em São Petersburgo, Rússia. Filho de Mikhail Petrovich Kovalenko, pianista, compositor e luthier, com Choi SooJung, professora de ballet clássico vinculada à tradição Bolshoi. Entretanto, devido a uma proposta de emprego, a família de Kovalenko se mudou à Paris no ano seguinte ao seu nascimento, obtendo a dupla nacionalidade ao se naturalizarem cerca de quatro anos depois. Devido ao legado familiar, desde cedo esteve em contato direto com o meio artístico, acompanhando ambos os pais em viagens pelos arredores da França, de Paris à Marselha, sendo introduzido aos poucos aos mais diversos circuitos culturais franceses, transitando entre os teatros de Lyon e as óperas parisienses.Aos 15 anos obteve o status jurídico de maioridade, já que não mais podia acompanhar os pais em suas viagens, principalmente depois de ingressar no liceu masculino Louis-le-Grand, na Rue Saint-Jacques, há algumas quadras de sua casa. Foi ainda na adolescência que, por influência de seu padrinho, começou a participar assiduamente das reuniões da Juventude Socialista Francesa, uma organização marxista estudantil, passando a integrar a liga secundarista. Foi lá que Ivan teve seu primeiro contato com os livros de Economia Política Marxista, despertando sua paixão por Sociologia e Filosofia, que perdura até hoje.

Após se formar com honras pelo Lycée Louis-le-Grand, iniciou sua vida acadêmica na graduação do curso de Filosofia, na Universidade de Sorbonne. Foi lá que teve os primeiros contatos com a filosofia pós-estruturalista e, sobretudo, com Deleuze e Guattari, que foram estudos cruciais para toda a sua tragetória acadêmica, que se dedica a se apropriar deste referencial teórico e de tantos outros do escopo pós-estruturalista.Ao concluir a graduação, Ivan ingressou com uma bolsa de pós-graduação integral na Universidade de Frankfurt, Alemanha, onde realizou seu mestrado e doutorado em Filosofia. Durante a pós-graduação, Ivan também passou a integrar o Corpo Psicanalítico de Frankfurt, se especializando em psicanálise lacaniana e, posteriormente, em esquizoanálise, já ao retornar à Paris. Também atuou como professor substituto da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas de Frankfurt nesse meio tempo.



Primavera nos dentes,
"Resistindo na boca da noite um gosto de sol."


ACT IIThe Psychoanalytic Clinic
and the Philosophy of Desire


"O psicanalista se coloca como um sacerdote que, em vez de liberar o desejo, o enquadra num código pré-existente, o código de Édipo, como se o inconsciente fosse um confessionário."O Anti-Édipo: Capitalismo e Esquizofrenia. Deleuze e Guattari, 2010, p. 124.

Ivan Kovalenko começou a clinicar após dois anos de especialização no curso de formação básica nas principais linhas psicanalíticas, envolvendo teoria e prática clínica nesse processo, durante os primeiros anos do doutorado, num pequeno loft comercial perto das dependências da universidade, sob a supervisão da Profa. Dra. Ilka Quindeau. Após todo o período de estágio, e ao fim do doutorado, Kovalenko retornou à Paris, com a proposta de emprego como Professor Adjunto na Unidade de Formação e Pesquisa em Filosofia, da Universidade Paris 1, também conhecida por Universidade de Sorbonne.Obteve o título de doutor em Filosofia com a tese O desejo deseja a opressão?: política libidinal, fetiche e práticas de dominação sexuais subversivas", no ano de 2022, aos 28 anos. É pesquisador nas áreas de Filosofia da Diferença, Filosofia do Desejo, Esquizoanálise e Teoria Queer.Possui uma pequena clínica de atendimento psicanalítico no 5º arrondissement de Paris (Quartier Latin), mesmo bairro onde mora com seus três gatos: Tiwa, Schiele e Félix. Vive bem, feliz e bem humorado porque a vida sem bom humor é só teatro da crueldade.

Também gosta de: barulho do aquecedor, vilões trágicos, vampiros, passeios noturnos, surrealismo, vinhos tintos, cigarros baratos, jantar sopa, pessoas extrovertidas, maconha, musica boa, filmes ruins e jogos fáceis.

Não gosta de: ambientes lotados, animais gosmentos, filosofia pragmática, dias ensolarados, cálculos, florestas de eucalipto, cachorros barulhentos, organização, burocracia, e pessoas hostis.